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Como ler uma receita de Beersmith?

Talvez você seja um cervejeiro iniciante na sua primeira brasagem, ou até já fez várias cervejas seguindo um passo a passo e nunca deu certo, ou já fez várias por conta e nunca consegue acertar os parâmetros?

Se a carapuça serviu pra alguma dessas opções, esse post é pra você! Vamos te ensinar a ler rapidamente uma receita de Beersmith (e, de praxe, a maioria dos softwares de receitas de cerveja) de modo que você realmente entenda o que está acontecendo e possa contornar eventuais problemas de processo e de produção!

Para isso vamos usar a nossa receita da IPA “Boa e Barata” aqui do Beco, mas o conhecimento pode ser utilizado pra ler qualquer outra receita.

Ahh, e não se preocupe, você não precisa ter o software instalado, passamos as principais fotos das receitas para que você consiga seguir de casa (não se esqueça de salvar num e-mail, pen drive ou algum lugar fora do WhatsApp pra não correr o risco de perder a receita, hein?).

A primeira im,agem enviada é a seguinte:

Em ordem, de cima pra baixo podemos ver:

Nome da receita, método de fabricação (all grain = uso de malte em grãos), equipamento usado para calcular (no caso um equipamento genérico para fabricação de 20L de cerveja), litragem e eficiência.

Na tabela temos todos os ingredientes (maltes, lúpulos, leveduras e possíveis adjuntos). Uma das informações importantes dessa tabela são as adições de lúpulo, e vai variar de receita para receita. É importante notar que o Beersmith não coloca as adições em ordem de tempo, assim é bom prestar bastante atenção para fazer todas, ou até anotar em um lugar a ordem correta.

E como são descritas as adições de lúpulo? Vamos usar um exemplo:

30g – Chinook, 13,9% – 60 minutos

Isso significa que 30g do lúpulo Chinook, no caso com 7,5% de alfa ácidos serão colocados FALTANDO 60 minutos para acabar a fervura (essa informação de porcentagem de alfa ácidos vai variar de safra pra safra e de lote pra lote de lúpulo, e deve ser disponibilizada no momento da compra; pequenas variações são aceitáveis e podemos “ignorar” em grande parte dos casos quando vamos fazer uma receita pela primeira vez; para tentar produzir uma receita com maior repetibilidade entre as levas, a quantidade de lúpulo poderá ser recalculada para as adições para arrumar IBU e outros parâmetros da receita).

Os tempos de fervura das receitas são de 60 minutos na maioria dos casos, a não ser que indicada na receita (ou seja, assuma sempre que serão 60 minutos).

Já num outro exemplo de adição, temos:

15g Cascade, 13,9% – 5 minutos

10g Cascade, 7,5% – 5 minutos

Quer dizer que essas duas adições serão feitas ao mesmo tempo (pode pesas os lúpulos e colocar tudo num mesmo recipiente), faltando 5 minutos para acabar a fervura (ou seja, 55 minutos após começar a “borbulhar”).

Por último, temos o estilo (“American IPA”) e os parâmetros da receita à esquerda, com os parâmetros aceitáveis pro estilo na direita, como por exemplo:

OG 1,058 – sendo que o estilo aceita entre 1,058 e 1,070

IBU 69,5 – sendo que o estilo aceita entre 40 e 70

E assim também para os outros parâmetros.

Como a FG da receita não aparece nessa foto, mandamos escrito separado após enviarmos as fotos.

Dado isso, a próxima foto indica tanto por uma tabela, quanto graficamente, as rampas de mosturação da receita:

Podemos ver que devemos manter a temperatura a 67 graus por 75 minutos, depois subir para 76 graus para o mash out (inativação das enzimas) e manter por 10 minutos. As receitas podem ter mais ou menos rampas, dependendo de cada caso e do resultado final.

As outras informações disponíveis podem ser ignoradas (conforme na imagem a seguir), pois não estarão calibradas corretamente para o seu equipamento (temos um outro post ensinando como calcular as quantidades de água pra cada receita e para o seu equipamento, assim você não vai errar nunca, e vai saber corrigir possíveis desvios de processo!).

Por último, temos as rampas de fermentação, que seguem um padrão bem similar às de mosturação, mas disponível em dias, no lugar de minutos:

 

Essas rampas são sugestões de como fazer a sua fermentação, mas aceitam variações! A única rampa que não podemos diminuir é a primeira, de fermentação (7 dias a 18 graus), a não ser que tenhamos como medir e garantir que todo o açúcar disponível no mosto foi consumido (por exemplo, medindo a gravidade específica 2 dias seguindo e a mesma se mantendo no mesmo valor).

As rampas de “maturação” e “cold crash” (7 dias a 12 graus e 3 dias a 0 graus) são mais subjetivas, sendo que a primeira serve para “arredondar” a cerveja (em teoria nem seria necessária se a fermentação fosse perfeita, mas sabemos que isso é bem difícil de ocorrer), e a segunda serve para decantação dos sólidos presentes na cerveja (proteínas coaguladas, lúpulos e leveduras), e serve bem mais para o visual (pra cerveja ficar mais limpa) do que pro sensorial (apesar que uma cerveja mais cristalina costuma também ter menos problemas de fermentação, como sabor de leveduras ou lúpulos, mas esses também aparecem em casos bem mais extremos e não deveriam estar presentes na sua cerveja).

Ou seja, se você não estiver em casa no dia que completar 7 dias de fermentação e só puder mudar a rampa com 9, sem problemas! A mesma coisa para as outras fases do processo. Inclusive pode ser que em 3 dias você não esteja contente com o tanto que sua cerveja está limpa e deseja deixar mais tempo pra clarificar mais, ou até gosta de cervejas mais turvas e quer deixar um pouco menos… Ou quem sabe está com pressa pra poder beber logo e quer acelerar um pouco o processo? Nada de errado com isso, a cerveja é sua!! Faça os testes e seja feliz! Se não gostar do resultado, já sabe o que fazer (ou não fazer pra próxima).

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