Vamos começar um novo “quadro” aqui no blog, vamos falar sobre alguns estilos, contando um pouco sobre sua história, comentando suas principais características e dando dicas de produção.
História
O surgimento do estilo é atribuido à cervejaria Drie Linden com a cerveja então chamada Witkap Pater [1][2][3]. Em 1934 a Abadia de Westmalle da Bélgica lança uma cerveja clara, com 9,5% de teor alcoólico e assim nasceu o estilo.
A Westmalle Tripel é até hoje tida como uma das principais Tripels do mundo e sua receita permanece a mesma desde a 1956 quando o Irmão Thomas alterou ligeiramente a receita original adicionando mais lúpulo e alterou o nome da cerveja para Westmalle Tripel, surgindo assim o nome do estilo.
Uma curiosidade sobre o estilo é que a maioria (a única exceção é a Chimay) das cervejarias Trapistas que produzem o estilo só vendem ele em garrafas, pois afirmam que a refermentação na garrafa adiciona a complexidade final desejada para a cerveja.
Principais características
É uma cerveja clara, de denso colarinho e intensa carbonatação. Na boca tem amargor médio, mas embora deva ser uma cerveja seca, um certo dulçor residual é adequado, o corpo deve ser médio.
A principal característica de uma Tripel é o fenólico e sabor de álcool, é o estilo com maior intensidade fenólica, sendo principalmente de noz moscada e pimenta preta embora uma leve nota de cravo seja aceitável. Um frutado médio também é comum e geralmente é cítrico podendo apresentar uma sutil nota de banana. O uso de especiarias como semente de coentro é comum. O aroma e sabor de lúpulo deve ser baixo, mas podem ser perceptíveis, geralmente floral ou condimentado. Sabor de álcool é obrigatório, mas não deve ser agressivo.
Deve ser uma cerveja clara, complexa, fenólica e com álcool perceptível mas com surpreendente drinkability… um perigo!
Dicas de produçao
A base clássica é de malte pilsen, geralmente 80%, com o resto sendo de fontes de açúcares fermentescíveis como açúcar de mesa ou candi sugar, com isso a cerveja fica alcoólica mas com corpo mais leve, aumentando o drinkability.
Adição de mais alguns tipos de malte, claros, como munique, vienna, malte de trigo, ou até mesmo um pouco de malte caramelo claro como carapils, ou carahell podem adicionar complexidade.
A lupulagem é de lúpulos europeus, mais classicamente alemães ou checos, como Saaz, Perle, Hersbrucker, Mittelfruh, etc., buscando um amargor médio. Adições de lúpulo de aroma e sabor são bem vindas, mas não devem dominar.
A escolha da levedura é essencial, deve ser uma cepa de alta atenuação e de produção de fenóis de média intensidade. No Beco do Malte temos a excelente Belgian Tripel da Mangrove Jacks. Não tem segredo na temperatura, fermente a 21º, não há necessidade de elevar a temperatura, mas você pode brincar com isso e fazer seus testes, dando seu toque à cerveja.
Recomendo deixar em temperatura de fermentação por cerca de 10 dias, depois pode baixar 0º por 5 a 10 dias e engarrafar, deixe maturando na garrafa, pode ser em temperatura ambiente, mas de preferência em temperatura de adega (12º) por cerca de 3 semanas a 1 mês. A sua paciência será recompensada.
E aí, gostam do estilo? Sugestões e dúvidas são bem vindas!
Saúde…
[1] http://www.beerhunter.com/documents/19133-000791.html
[2] Hieronymus, Stan; Hieronymus, Stan; Hieronymus, Stan. Brew Like a Monk: Trappist, Abbey, and Strong Belgian Ales and How to Brew Them (p. 71). Brewers Publications. Edição do Kindle.
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